da Folha Online
O governo brasileiro concedeu asilo diplomático ao presidente equatoriano
destituído Lucio Gutiérrez. O Congresso do Equador cassou nesta quarta-feira
Gutiérrez
por "abandono de cargo" e nomeou o vice-presidente
Alfredo
Palácio para comandar o país, em sessão especial.
Gutiérrez está na Embaixada do Brasil em Quito (capital) e o Itamaraty ainda não
confirma quando ele deve chegar ao país.
Em nota, o governo brasileiro disse que "acompanha, com preocupação, o quadro
político constitucional no Equador e reitera a expectativa de uma solução
pacífica que assegure a normalidade institucional".
Protestos
As ruas da capital foram tomadas por manifestantes que protestavam contra o
governo de Gutiérrez nesta quarta-feira.
Uma mulher, que teria viajado a Quito para apoiar Gutiérrez, morreu atropelada
por um caminhão militar.
Na
véspera, um fotógrafo chileno morreu asfixiado pelo gás lacrimogêneo utilizado
pela polícia para dispersar manifestantes. Os protestos de terça-feira deixaram
80 pessoas com sintomas de asfixia e 17 feridos, segundo a Cruz Vermelha.
A crise política no país se intensificou na semana passada quando Gutiérrez
declarou estado de emergência por um dia na região de Quito e dissolveu a
Suprema Corte alegando que juízes impopulares eram a causa de protestos nas ruas
da capital.
Crise
O Equador
está imerso em uma crise política e jurídica desde o dia 8 de dezembro passado,
quando uma maioria governista no Congresso reestruturou a Suprema Corte de
Justiça, medida essa que foi qualificada imediatamente pela oposição de ilegal e
inconstitucional.
A crise se agravou quando os novos juízes da Suprema Corte anularam os processos
contra os ex-presidentes equatorianos Bucaram e Gustavo Noboa e o
ex-vice-presidente Alberto Dahik.
A oposição diz que a reestruturação do tribunal constitui interferência do
Executivo no Poder Judiciário e acusa o presidente de buscar poderes
ditatoriais. Gutiérrez se defende dizendo que as mudanças foram feitas dentro da
lei.
Com agências internacionais