BODY PUMP
Uma atividade que mistura ginástica e
musculação fazendo parte do Sistema Body
Systems de programas prontos com os variados treinamentos físicos conhecidos de
ginástica localizada, aeróbica de alto e baixo
impacto
step, ciclismo indoor, dança de estilos
variados. Enfim... o que os professores aprendem na faculdade.
O sistema que é patenteado pela empresa internacional Les Mills usa o típico
marketing americano das mega festas em feiras e convenções, músicas alucinantes,
roupas bastante coloridas e os discursos de impacto... também "prontos".
A filosofia é toda calcada nos conhecimentos que todo profissional de Educação
Física tem obrigação de conhecer tais como métodos e sistemas de ginástica,
periodização, princípios e as valências físicas a serem desenvolvidas em cada
método.
O Body Pump trabalha com pesos sincronizado às musicas do momento muito
conhecidas pelo público da Rádio Jovem Pam. Os chamados "Mix", nada mais são do
que os mesociclos da periodização que mudam em média de dois em dois meses
visando a evolução dos exercícios e a intensidade prometendo a evolução das
valências físicas.
É importante lembrar que o programa Body Systems tem fundamento calcado na
fisiologia e a padronização dos "Mix" teria a intenção por exemplo, quando um
aluno viajasse para qualquer lugar do mundo pudesse dar continuidade ao seu
programa. Bastaria ele procurar uma academia na cidade onde ele estivesse e
fazer a aula respectiva à sua evolução.
Bom, o programa também recebe críticas. O fato dos professores fazerem os cursos
e terem que ministrar as aulas exatamente como aprendem, sem questionamento
nenhum, são taxados de meros repetidores de movimentos como foi, há tempos, a
infeliz declaração do deputado Carlos Mink (RJ). Aos instrutores não cabe a
criatividade porque têm de seguir os "Mix" sem mudanças. A questão do excesso de
repetição podendo gerar lesões articulares e a impossibilidade do professor
corrigir os movimentos dos alunos numa sala muito cheia é outro fato alvo de
crítica. Um número máximo de alunos em cada aula deveria ser respeitado o que
não acontece por absoluta ganância de alguns proprietários de academia, embora
isso, não seja característica "só" do Body Pump. Numa aula de ginástica
localizada, spining, RPM, ciclismo Indoor, entre outras atividades coletivas o
mesmo pode acorrer por ser humanamente impossível manter a qualidade de serviço
nessas condições, por melhor que seja o profissional.
O programa Body Systems, é na verdade uma tentativa de monopolizar a Educação
Física podendo jogar "por água abaixo" 4 anos de carreira acadêmica a quem se
sujeita às normas do curso orientado pela empresa. Um curso de poucas horas de
Body Pump, Step, Jump, RPM entre os outros, promete "habilitar" qualquer um a
ministrar as aulas, mas não pode de maneira nenhuma passar por cima da lei 9696
de 1º de setembro de 1998. É preciso não confundir as coisas. Qualquer
profissional graduado REGISTRADO pode ministrar aulas de qualquer tipo em
qualquer lugar, por isso tem exercício pleno. Se o profissional é provisionado,
ele só pode ministrar as aulas do Body Systems se possuir a categoria
"ginástica".
Convenhamos. Olhando pelo lado bom do problema o Body Systems é uma grande
oportunidade de desenvolvimento de trabalhos acadêmicos (teses, monografias e
etc.) porque até agora existem poucos conclusivos. Os existentes não convencem
até porque são tendenciosos.
Quais os métodos utilizados? A seqüência de exercício tem alguma lógica? Qual?
Tem erros? Por quê? A seqüência de exercícios é proposta para quais grupos
musculares? Podem ser modificados levando-se em consideração os braços de
alavanca? Quais as valências físicas propostas por cada "MIX"? No campo
cardiovascular a oportunidade de estudo também é enorme. Freqüência Cardíaca,
Pressão Arterial. Duplo Produto e etc.
E os donos de academia? Analisando pelo lado empresarial, muitas vezes se vêem
obrigados a comprar o programa por causa da concorrência. Mas o dono de academia
que deseja fazer um bom trabalho oferecendo outros atrativos, pode fazer do Body
Systems a porta de entrada de novos alunos. Não podemos esquecer que para atrair
o cliente, primeiro temos que oferecer o que ele gosta, depois ser convencido do
que precisa, e temos algo melhor.
E os novos profissionais? Muitas vezes o Body Systems pode ser a oportunidade de
primeiro emprego. Por que não? Depois, cabe a ele ter espírito crítico, bom
senso e comportamento ético para provar que pode mudar e crescer em qualquer
lugar. Não podemos é aceitar é a exploração de mão de obra barata. Um estagiário
de 1º ao 4º período não deve aceitar ministrar aulas sem supervisão de um
graduado, muito menos salários tão baixos, sob risco de ser substituído por
outro estagiário "barato" quando se graduar. Essa é uma questão de princípio. Ou
não?
Na lista de discussão de Fisiologia do CEV (Centro Esportivo Virtual) esse
assunto foi discutido e uma das opiniões foi colocado um trecho do livro, "A
evolução da Educação Física e Esportes" de João batista Freire bastante
pertinente à essa questão.
"Talvez as faculdades de Educação Física não tenham ainda percebido, até por que
demoram bastante para perceber qualquer coisa, mas o universo do fitness vai na
contramão da formação universitária. Se a coisa continuar assim, será melhor
abolir os diplomas universitários e declarar obsoletas as faculdades, pois, com
alguns breves cursos de finais de semana, uma fita de vídeo e uma roupa
extravagante qualquer um terá habilitação para dar aulas em academias,
dispensando o tedioso e demorado curso universitário"...
E continua em outro trecho. "Os clientes dos encontros de Educação física cuja
tônica é o fitness lotam as salas, onde a prática sobrepuja qualquer experiência
teórica, onde o som ensurdecedor abafa qualquer tentativa de debate, onde o
cansaço e o suor inibem todas as possibilidades de reflexão".
O prof. Dr. João Batista Freire é docente de pedagogia da UDESC e suas palavras
nos convidam a uma reflexão. Precisamos estar atentos a essas novidades que
surgem de uma hora para a outra e não simplesmente sair combatendo ou condenando
as atividades. É uma questão de inteligência extrair a parte boa das chamadas
ondas e melhorar a nossa Educação Física como um todo e o serviço prestado aos
nossos clientes. O Body Pump tem uma proposta legal, porém calcada em
conhecimentos que qualquer bom profissional deve ter para elaborar um plano de
aula inteligente. Os procedimentos e cuidados profissionais devem estar voltados
ao cuidado com os clientes para reverter por exemplo os números de uma pesquisa
coordenada pela Drª Laíra Campello onde a
dor nas costas atingiu 28,5% dos praticantes
entrevistados de Body Pump. O estudo foi feito em nove grandes academias de São
Paulo, 18 somando com as filiais, além de 17 de outras capitais. Portanto, é
preciso refletir.