Assembléia de São Paulo debate decoro após show gay

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JOSÉ ALBERTO BOMBIG
da Folha de S.Paulo

O presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, José Carlos Vaz de Lima (PSDB), deu início ontem à apuração para avaliar se o deputado Carlos Gianazzi (PSOL) quebrou o decoro parlamentar --o que pode levar à perda do mandato-- por conta da performance de um transformista no plenário d. Pedro 1º da Casa.

A apresentação ocorreu no dia 24 de outubro deste ano, durante o lançamento da frente parlamentar em defesa da comunidade gay.

Organizador do evento e presidente da frente, Gianazzi aceitou a sugestão do transformista Henrique Rocha, 20, nome artístico Nick Peron, de se apresentar, em trajes sumários, para os deputados.

"Foi uma coisa artística, ele, o transformista, utilizou o corpo para denunciar a homofobia. Não foi striptease como estão falando. Quebra de decoro é se envolver com o mensalão, com a corrupção", diz o parlamentar do PSOL.

"Por que uma pessoa pode se apresentar de fio dental e sutiã na Assembléia? Não sou contra a frente, mas me senti agredido nos meus princípios", diz Waldir Agnello (PTB), pastor evangélico, vice-presidente da Casa e autor da questão de ordem que provocou a iniciativa de Vaz de Lima.

"Solicitei a fita de vídeo com as imagens da apresentação e vou decidir nos próximos dias. É bom ressaltar que o evento durou quase duas horas e, por isso, não pode ser analisado apenas pela peformance", disse Vaz de Lima.

Terminada a apuração, o presidente decidirá se arquiva o caso, se o encaminha para o Corregedoria, por se tratar de uma questão interna, ou se ele irá direto ao Conselho de Ética.

Gianazzi, que quinta-feira irá participar de um ato contra a questão de ordem de Agnello no mesmo plenário da performance, diz que, se a decisão da Casa for política, ele corre sérios riscos, já que está na oposição ao governador José Serra (PSDB). O PTB é um dos expoentes da base de apoio ao tucano na Assembléia.

O líder do PT, Simão Pedro, diz que o deputado do PSOL terá a ajuda da bancada. "Mais grave do que a apresentação é a situação ruim da educação em São Paulo. Apesar de nossas divergências com o Gianazzi, somos contra a cassação."

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