Aposte na velocidade de rotação do HD para turbinar seu
computador
Paulo Rebêlo
Para o UOL Tecnologia
Processador e memória RAM são as
duas coisas que todo mundo pensa na hora de comprar um computador novo
ou fazer um upgrade para ganhar velocidade. No entanto, quando o assunto
é disco rígido (ou HD, do inglês 'hard disk'), as apostas diminuem e o
espaço para armazenamento é geralmente o único fator que se leva em
consideração. Um grave erro. HDs com espaço de sobra são importantes,
sem dúvida, principalmente para guardar fotos, filmes e músicas. Mas
quem procura performance deve prestar atenção a dois detalhes pouco
destacados por vendedores: a velocidade de rotação e a quantidade de
memória buffer no disco.
| DISCOS RÍGIDOS |
HD Raptor de 150 GB, 10 mil RPM da Western Digital
|
A velocidade de rotação denota o tempo que o disco leva para procurar
e acessar os dados embaralhados no disco. Quanto maior a velocidade,
mais rápido é o acesso. Até pouco tempo atrás, o padrão era de 5.400 RPM
(rotações por minuto) para computadores de mesa (desktop) e 4.200 RPM
para notebooks. Hoje, é até difícil encontrar esses discos à venda, pois
o padrão tornou-se de 7.200 RPM, que chega a ser até 40% mais rápido. Os
notebooks atuais costumam vir com discos de 5.400 RPM e, modelos maiores
e mais caros de portáteis, com discos de 7.200 RPM.
A memória buffer do HD é um recurso relativamente novo, que passou a ser
adotado a partir da popularização dos HDs de 7.200 RPM. É uma pequena
porção de memória onde o HD acessa dados de forma mais rápida, em um
cálculo que tenta antecipar o que será exigido pelo processador antes
mesmo de você acioná-lo. No início, os HDs novos vinham com 2 MB de
buffer. Hoje, evite comprar HDs com menos de 8 MB. Modelos aprimorados e
maiores trabalham com 16 MB. É sempre bom procurar nas especificações do
disco, pois tem muita loja vendendo modelo antigo, de 7.200 RPM, sem
buffer.
Teste: compare a velocidade de acesso e as
taxas de transferência
Paulo Rebêlo
Para o UOL Tecnologia
Para nossos testes,
usamos dois softwares gratuitos: HD Tune e HD Tach. Há outras
opções no mercado, geralmente comerciais, como é o caso do
Sisoft Sandra e até do próprio Nero, que serve para gravar CDs e
DVDs, mas possui um teste bem simples de velocidade de acesso.
| DISCOS RÍGIDOS |
HD Raptor de 150 GB, 10 mil RPM da Western Digital
|
A vantagem do HD Tune e do HD Tach é que, além de pequenos e
gratuitos, são específicos para discos rígidos. Vale lembrar que
os resultados aqui são os valores médios, porque os valores
absolutos podem variar (pouca coisa) de disco para disco,
principalmente entre os modelos de marcas desconhecidas ou de
qualidade duvidosa. Os valores mostrados pelos softwares são de
trabalho em tempo real, o que significa que será sempre inferior
aos dados fornecidos oficialmente pelas fabricantes, que testam
o produto apenas em condições ideais e mostrando as taxas
máximas de acesso.
Colocamos um HD de 5.400 RPM externo da Western Digital, ligado
na porta USB 2.0, para comparar com um HD de notebook, também de
5.400 RPM da Samsung. Veja no gráfico abaixo que, apesar de
terem a mesma rotação, o notebook ganha um pouco na velocidade
de acesso, devido ao gargalo da porta USB.
|
16.8 ms |
Tempo de acesso (amarelo) |
18.1 ms |
|
1.7 MB/s |
Transferência mínima (azul) |
13.8 MB/s |
|
35.4 MB/s |
Transferência máxima (azul) |
21.4 MB/s |
|
27.8 MB/s |
Média de transferência (azul) |
19 MB/s |
|
99.6 MB/s |
Pico de performance de acesso (amarelo) |
24.3 MB/s |
|
DISCO RÍGIDO: NOTEBOOK X HD EXTERNO |
|
Note-book, 5.400 RPM, 80GB |
  |
Externo, 5.400 RPM, USB 2.0,
80GB |
|
A principal diferença entre os discos acima é o pico de
performance, por haver menos gargalo na transferência com um HD
interno, do notebook. Esse pico de performance é justamente a
operação de ler os dados do disco rígido e transferi-los para o
sistema operacional, também conhecida como 'burst rate' em
inglês. Em geral, um HD lotado vai ter um pico de performance
inferior. No caso do notebook, testamos com um disco quase todo
limpo, apenas com o Windows instalado. Com bastante espaço
vazio, o 'burst rate' vai lá para cima, apesar da baixa rotação.
Vamos comparar agora os desempenhos de um HD de 7.200 RPM com um
de 10 mil RPM.
|
13.9 ms |
Tempo de acesso (amarelo) |
6.2 ms |
|
20.8 MB/s |
Transferência mínima (azul) |
47.7 MB/s |
|
42.0 MB/s |
Transferência máxima (azul) |
96.8 MB/s |
|
34.7 MB/s |
Média de transferência (azul) |
90.6 MB/s |
|
77.4 MB/s |
Pico de performance de acesso (amarelo) |
95.8 MB/s |
|
DISCO RÍGIDO: 7.200 RPM X 10 MIL RPM |
| HD
7.200 RPM 120GB |
  |
HD
10 mil RPM,
74 GB (partição com apenas 50 GB) |
|
Perceba como o tempo de acesso, em um HD de 10 mil RPM, cai pela
metade quando comparado a um de 7.200 RPM. E na hora de
transferir arquivos (entre um disco e outro, ou entre
partições), a média é quase três vezes maior.
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É possível ter um 10 mil RPM em casa
O que poucos usuários sabem é que existem HDs domésticos que funcionam a
10 mil RPM. Eles não exigem recursos extras na placa-mãe ou um
periférico extra, como é o caso dos HDs SCSI, bastante utilizados em
servidores. A maioria dos HDs SCSI trabalham a 10 mil RPM e modelos mais
novos já chegam a 15 mil RPM. Para entender a diferença, os HDs SCSI são
bem mais caros, tem menos espaço para armazenamento e exigem mais
conhecimento técnico para instalar. Portanto, sempre estiveram distantes
do usuário doméstico.
Os HDs domésticos a 10 mil RPM -que oferecem o máximo de desempenho
(equivalente a um disco SCSI), sem as desvantagens do preço alto e da
complicação na instalação- já existem no mercado há vários anos, mas
apenas uma fabricante oferece o produto: a Western Digital. No Brasil,
não é toda loja que vende, mas as principais redes especializadas
comercializam as versões de 36 GB, 80 GB e 150 GB.
O preço, evidentemente, é maior: a versão de 36 GB custa R$ 500,00, em
média, a versão de 80 Gb custa R$ 750,00 e a de 150 GB sai por cerca de
R$ 1.000,00. O preço sugerido da fabricante nos EUA para o de 150 GB, é
US$ 270,00 (veja o preço de outros
modelos)
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