da Folha Online
O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, afirmou nesta sexta-feira que
conversou com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, logo depois das explosões no
Egito, que deixaram 26 mortos e 160 feridos. Ambos concordaram em "concentrar
esforços e forças para lutar contra o terror".
Sharon agradeceu a ajuda do Egito na remoção dos feridos e mortos do local.
As
três explosões que atingiram ontem diferentes localidades turísticas na região
egípcia do mar Vermelho, próximo da fronteira com Israel, podem deixar um número
ainda maior de vítimas: 38 pessoas continuam desaparecidas e há pedaços de
corpos que ainda não foram identificados.
"A esperança é mínima de se encontrar sobreviventes porque a explosão foi muito
violenta", declarou Shamun Romash, chefe das equipes de resgate israelenses que
trabalham no local. Romash estima que 100 kg de explosivos foram utilizados
pelos autores do ação.
Um lado inteiro do hotel Hilton, em Taba, que abrigava 430 quartos distribuídos
em dez andares, foi ao chão. Alguns turistas morreram dentro de seus quartos. A
polícia disse que o teto do restaurante do hotel despencou, e que era possível
ver corpos entre os escombros.
Oficiais israelenses disseram que um caminhão carregado de bombas explodiu na
entrada do hotel. Em seguida, um ataque suicida explodiu perto da piscina.
Os resorts atacados ontem são muito freqüentados por turistas israelenses, que
têm sido alertados pelo governo de Israel para evitar esses locai, devido ao
perigo de ataques.
O atentado de ontem foi um dos maiores ocorridos no Egito contra turistas e
estrangeiros, desde que 58 estrangeiros foram mortos em Luxor em 1997. A ação
foi reivindicada pelas Brigadas Islâmicas de Tahwid, um grupo desconhecido
supostamente ligado à Al Qaeda. A autenticidade da autoria do ataque não pôde
ser verificada.
O Hamas, grupo extremista islâmico, negou a autoria da ação e disse que 'esse é
apenas o resultado da agressão sionista contra os palestinos'.
Pelo menos seis turistas mortos eram israelenses. Havia também um russo.
Suspeita-se que os outros eram egípcios
Hotel
A primeira explosão ocorreu no Hotel Hilton, em Taba, por volta das 22h [17h em
Brasília]. O hotel é um dos mais luxuosos da cidade.
De acordo com fontes de segurança egípcias, que pediram anonimato à agência de
notícias Associated Press, a explosão no hotel ocorreu na cozinha perto do
cassino, onde havia muitos turistas. Ainda não se sabe as nacionalidades dos
mortos.
A explosão no hotel foi seguida por duas outras menores na região de Ras Shitan
e Nuweiba, também entre os resorts do mar Vermelho, ao sul de Taba. O número de
feridos nessas explosões ainda é desconhecido.
O ataque foi seguido de dois ataques feitos na praia ao sul da Península do
Sinai, que também concentrava um grande número de israelenses. Autoridades de
Israel avisaram os turistas sobre a possibilidade de se tornarem "alvos dos
militantes palestinos".
Atentado
Autoridades egípcias chegaram negar a possibilidade de atentado, mas
reconheceram que dificilmente três explosões ocorreriam simultaneamente. Fontes
de segurança israelense disseram à agência de notícias Reuters que há 'forte
evidência' de envolvimento de grupos ligados à rede terrorista Al Qaeda, de
Osama bin Laden.
No dia 9 de setembro, o governo israelense fez um alerta para que cidadãos não
visitassem os resorts egípcios no mar Vermelho, afirmando haver 'ameaças
concreta de terror para turistas'.
O alerta identificou a península egípcia do Sinai como alvo de potenciais
ataques.
Com agências internacionais