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ALMAS REENCARNADAS
Por Livia Brasil
criticas@cineclick.com.br

O longa japonês Almas Reencarnadas é dirigido e escrito
por Takashi Shimizu, o mesmo de O Grito - tanto na versão
japonesa como na americana - e é o terceiro filme do chamado
J-Horror Theater. O projeto é composto por seis filmes de
terror japoneses, dirigidos por cineastas diferentes e produzidos
por Taka Ichise. Os dois primeiros também foram lançados pela
Paris Filmes, direto em DVD: Infecção, de Masayuki Ochiai e
O Terror da Premonição, de Norio Tsuruta.
É inevitável não fazer uma comparação entre o mais recente
lançamento de Takashi Shimizu e o filme que o projetou
internacionalmente. O Grito, este último uma produção
americana repleta de grandes sustos, mas com uma história que
deixa a desejar. Em contrapartida, Almas Reencarnadas abusa
do enredo envolvente, mas esquece de criar momentos de espanto que
agrada tanto aos fãs de terror.
Usando uma metalinguagem bem conhecida no cinema, Almas
Reencarnadas mostra a produção de um filme de terror que
reconstitui o assassinato de 11 pessoas, em um hotel, por um
professor universitário obcecado no estudo da reencarnação. Yuuka
(nome famoso da televisão japonesa) interpreta a personagem Nagisa,
uma desconhecida atriz cujo desejo é fazer parte do elenco e,
assim, consolidar sua carreira. Ela é escolhida pelo próprio
diretor para dar vida à pequena garota assassinada pelo pai.
Nagisa começa a ter visões estranhas que aumentam intensamente
quando a equipe do filme faz uma excurssão ao local, onde
aconteceram as trágicas mortes.
Paralelamente, uma outra história se cruza com o enredo principal,
criando uma certa confusão no início da produção, mas que acaba se
tornando necessária para explicar alguns mistérios que envolvem a
trama. Apesar de não conseguir arrancar grandes sustos do público,
o filme apóia-se no roteiro para criar o clima de tensão e terror,
tendo, por sinal, um desfecho surpreendente.
A trilha sonora de Almas Reencarnadas, produzida por Kenji
Kawai (Ringu, versão japonesa de O Chamado), cria o
clima exato para a ambientação do filme, mas sem entregar o que
acontecerá nas cenas seguintes, como a fórmula americana de
aumentar o áudio próximo a alguma aparição sobrenatural, obrigando
você a ficar ainda mais preso na trama para, dessa forma, não
perder nenhum momento importante.
Sem grandes efeitos especiais, o longa-metragem não é nenhum
exemplo de filme aterrorizante e perturbador, mas é um bom
entretenimento, principalmente para quem gosta da linha de terror
japonês, mantendo-se fiel a assombrações, mistérios sobrenaturais
e espíritos aparecendo por todos os lados. |