Ministro da Educação afirma em Lisboa que acordo ajudará na cooperação com países africanos
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Cúpula
deve confirmar acordo dos países de língua portuguesa
"Estamos tendo conversas informais com grupos editoriais brasileiros,
sobretudo os que trabalham com livros didáticos, prevendo um prazo de dois ou
três anos (para a implementação do acordo)", disse o ministro. Segundo ele, a
idéia é levar a consulta pública dentro de 30 dias a minuta do decreto
presidencial sobre o acordo. "Pretendemos publicar esse decreto presidencial
talvez ainda em setembro ou outubro", afirmou.
Segundo o ministro, a grande mudança a partir da unificação do português será
política, em relação ao papel que a língua portuguesa tem no mundo. "A
ortografia muda muito pouco. Tanto no Brasil como em Portugal a expectativa é
que a adaptação seja relativamente simples. Mas em foros internacionais e
sobretudo na CPLP penso que a cooperação vai ser muito promovida. Imagine a
dificuldade de uma língua ser (usada) em foros internacionais sem uma
ortografia comum."
Mudanças
O acordo consagra mudanças relativamente pequenas. Segundo os linguistas que
prepararam o acordo - Antônio Houaiss, pelo Brasil, e João Malaca Casteleiro,
de Portugal -, 0,43% das palavras no Brasil e 1,42% em Portugal passarão por
mudanças. Os brasileiros deixam de utilizar acentos em vogais duplas como na
palavra "voo", e os tritongos deixam de ser acentuados, como nas palavras "assembleia"
ou "ideia".
Os portugueses perdem o "c" em "acto" e "tecto", o "p" em "óptimo" ou "Egipto"
e as letras duplas em "connosco" ou "comummente". No entanto, o acordo mantém
divergências: os acentos são diferentes em "Antônio" e "António", "gênero" e "género".
Portugal passa a escrever "receção" (com o mesmo som de recessão) em vez de
"recepção". E não há uma unificação da sintaxe e da semântica - em Portugal
usa-se a forma "até ao fim" em vez de "até o fim", e costuma-se falar "sabe
bem" para dizer que uma comida é saborosa.
Universidade
O ministro disse que uma parte importante da cooperação com os outros países
de língua portuguesa será a criação da Universidade Luso-Afro-Brasileira, que
deve ter sua sede em Redenção, no Ceará. "O presidente ontem (quinta-feira)
encaminhou ao Congresso Nacional a proposta de criação de uma universidade
voltada para os países da CPLP. Vai se chamar Unilab, Universidade
Luso-Afro-Brasileira, com o objetivo de criar um ambiente político-pedagógico
voltado para a promoção da língua. A Universidade Luso-Afro-Brasileira só faz
sentido na medida em que todos os países se pronunciem de maneira decisiva
sobre o desejo de integração", completou.
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