ABORTO CLANDESTINO NA AMÉRICA LATINA

1ª PARTE

FONTE DE PESQUISA

http://www.aborto.com/laborto2.htm

Cada ano mais de quatro milhões de mulheres na America Latina, submete-se a um aborto induzido. Por causa que a maioria dos abortos são ilegais, estes procedimentos são feitos na clandestinidade e frequentemente em condições perigosas. Como um resultado, a região enfrenta um problema sério de saúde que ameaça as vidas das mulheres, e pôem em perigo a sua saúde reprodutiva e impôem um tensão severa nos já sobrecarregados sistemas de saúde e hospitais.

A prática do aborto induzido na America Latina é envolta em um vél de sigilo, um resultado direto das estringentes limitações legais sobre o aborto através da maioria da região. O aborto induzido é punido por lei em quase todos os paises, com execção de Cuba e umas poucas outras nações do Caribe. Em quase toda a região, Medicos podem legalmente terminar a gravidez que ameaça a vida da mulher, que resulta de um estupro ou incesto, ou que é caracterizada por fetal deformidade,1 mais estas opções são raramente usadas.

A preocupação sobre o alto nivel de aborto clandestino na America Latina não é nova. Os legisladores e profissionais médicos tem estado cientes nos últimos 20­30 anos que os procedimentos inseguros estavam sendo feitos na maioria dos paises da região, num nivel de alta consequencias para a saúde da mulher e para o custo dos serviços de saúde nacionais.

Uma pesquisa nas comunidades conduzido no Chile no começo dos anos 1960, foram os primeiros tentativas de medir a extensão do problema. Estas pesquisas encontraram que as mulheres eram provavel em terem dois ou treis abortos durante o periodo de seus anos reprodutivos.2 E estudos nos anos 1970 em paises tão diversos como, Brasil, Colombia, Republica Dominicana, Mexico, Peru e Venezuela indicaram que as mulheres tinham uma média de 0.5­1.5 de abortos induzidos durante a sua vida reprodutiva em estes países, e 2.0 ou mais abortos induzidos no Chile e Cuba.3

Embora a maioria dos entendidos em saúde na America Latina tem conhecimento da escala geral de abortos clandestinos e problemas relacionados, até recentemente eles tinham poucas informações confiaveis para responder muitas questões. Quais os metodos eram usados para induzir o aborto? Quem eram os maiores praticantes? Quantas mulheres eram hospitalizadas para o tratamento de complicações, e qual a proporção real do número de mulheres procurando um aborto induzido? Quais as mulheres que são mais provaveis de terem um aborto induzido, e por quais razões?

Este relatório apresenta um quadro geral da prática do aborto induzido na America Latina. Baseado em um numero de fontes: um estudo colaborativo sobre o aborto clandestino em seis países; um estudo em larga escala na Colombia urbana; um profundo estudo de tendencias de aborto e contracepção em treis países; e um número de estudos menores. Os resultados de muitos destes estudos foram apresentados no primeiro encontro sobre aborto induzido na America Latina, na Colombia em 1994.4

Niveis Atuais de Abortos
O número estimado de abortos são mais altos no Peru e Chile (cada ano, quase uma mulher em 20 de idade 15­49 tem um aborto induzido), intermediários no Brasil, Colombia e Republica Dominicana (cerca de uma mulher em 30), e mais baixo no Mexico (aproximadamente uma em 40). Se estes números continuarem a prevalecer através dos 35 anos da vida reprodutiva da mulher, a mulher em média no Mexico tem a probilidade de ter pelo menos um aborto quando chegar a idade de 50, comparado com cerca de 1.6 abortos entre as mulheres do Chile e cerca de 1.8 entre as mulheres do Peru.
 

Se o numero de abortos anuais estimados de ocorrer em estes seis países (2.8 milhões no começo de 1990) é aplicado para a região inteira, então cerca de quatro milhões de abortos induzidos são feitos cada ano na America Latina. (Quadro 1).

 

Quadro 1. Incidencia de Abortos
País/anor Número anual de abortos Percentual por 1,000 mulheres Média por mulheres
Total 2,768,150 33.9 1.2
Brasil, 1991 1,433,350 36.5 1.3
Chile, 1990 159,650 45.4 1.6
Colombia, 1989 288,400 33.7 1.2
Dom. Republic 82,500 43.7 1.5
Mexico, 1990 533,100 23.2 0.8
Peru, 1989 271,150 51.8 1.8
America Latina* 4,000,000 33.9 1.2
*Estimado na presunção que estes seis países representam 70% da população da America Latina e que todos os países na região tem niveis similar de hospitalização; aproximado do próximo 100,000.

A maioria dos que procuraram abortos eram casados e tinham crianças
 

O perfil de mulheres que obteram abortos baseado em dados nacionais são úteis. O conhecimento sobre as mulheres mais provaveis de terminar uma gravidez não desejada é importante por causa ele ajuda a identificar os subgrupos na população que mais necessitam de proteção contraceptiva. Em adição, a informação indica que o aborto clandestino é comum em muitos niveis da sociedade e que as práticas inseguras tem consequencias para a saúde de uma ampla faixa de mulheres.

Uma maneira de obter informações sobre mulheres tendo abortos é de examinar dados sobre mulheres sendo hospitalizadas como um resultado de complicações de procedimentos clandestinos. Entretanto , poucos sistemas nacionais fornecem dados nas caracteristicas das mulheres hospitalizadas, e mulheres hospitalizadas não são necessariamente representativas de todas as mulheres que tenham tido um aborto induzido.

De qualquer maneira, estas e outros dados mostram que a maioria das mulheres latinas americanas, que tiveram um aborto induzido tinham 20 ou mais anos de idade, casadas e já tiveram filhos. Na maioria dos países desenvolvidos, por contraste, mulheres que tiveram abortos eram frequentemente muitos jovens, a vasta maioria eram solteiras e cerca da metade não tinham filhos.5

Na Colombia, por exemplo, as estatisticas nacionais desde os 1980 mostraram que cerca de 87% de todas os pacientes hospitalizados por aborto eram mais velhos do que 20.6 Em uma pesquisa realizada na Colombia em 1992, representando familias urbanas, 23% de todas as mulheres entre a idades de 15 e 55 declararam que elas tinham tido um aborto induzido em algum ponto de suas vidas; a proporção eram bem mais altas que esta entre as mulheres que não completaram a escola primária (29%, veja Quadro 2), entre mulheres com algum curso superior (28%) e entre aquelas no mercado de trabalho (27%).7

 

Quadro 2. Na Colombia
Nivel Educacional da mulher urbana   % que tiveram um aborto
Todos os Niveis   23
Primario Incompleto   29
Primário Completo   22
Secundário Incompleto   21
Secundario Completo   18
Universidade Incompleta   28
Universidade Completa   24
fonte: Veja referencia 7.

Um estudo feito em 1990 pela Federação Latina Americana de Obstetras e Ginecologistas em quatros países (Bolivia, Colombia, Peru e Venezuela, veja Quadro 3) acharam que a vasta maioria dos pacientes de abortos hospitalizados (79%) eram mulheres casadas, a metade (51%) tinham dois ou mais crianças, e a metade tinham também sete ou mais anos de estudos. Cerca de 86% tinham a idade de 20 ou mais velha.8

 

Quadro 3. Em quatro países
Carateristicas dos pacientes de aborto Distribuição Percentual
Estado Civil
Solteira 21
Casadas ou em união consensual 79
No. de crianças
0 26
1 23
2­4 40
>=5 11
Anos de escola
0­4 21
5­6 27
7­9 28
>=10 24
Nota: Dados de Hospital da Bolivia, Colombia, Peru e Venezuela.

Outro estudo de 1990 das mulheres chilenas hospitalizadas por complicações em nove hospitais de Santiago, também encontraram que poucas eram jovens (somente 11% eram mais jovens de 20), que a vasta maioria (78%) eram casadas ou em uma união consensual, que 76% já tinham tido crianças e que mais de 80% tinham tido 7 ou mais anos de escola.9

Um estudo feito em 1992­1993 dos pacientes de aborto em duas grandes maternidade no pobre estado do nordeste de Fortaleza, Brasil, achou que 77% eram mais velhas de 20 e que 68% tinham tido cinco ou mais anos de escola. Mais neste estudo 53% das mulheres nunca tinham casado ou estado em uma união estavel, e 9% eram separadas, divorciadas ou viuvas.10

Na Republica Dominicana, entrevistas feitas em 1992 com mulheres hospitalizadas por complicações do aborto em dois grandes hospitais de Santo Domingo (Quadro 4) revelaram que 84% eram de 20 anos de idade ou mais velhas, 88% estavam em uma união, e 73% tinham tido cinco ou mais anos de escola.11

 

Quadro 4. Em Santo Domingo
Carateristicas pacientes de abortos Distribuição Percentual
Idade
<20 16
20­24 33
25­29 25>
30­34 15
>=35 11
Estado Civil
Não em união 12
Em União visitante 9
Em união consensual 66
Casadas 13
fontes: Veja referencia 11.

Tecnicas de abortos usadas
 

Um estudo feito em 1993 no Brasil, Colombia, Chile, Republica Dominicana, Mexico e Peru mostraram que as mulheres em todas as partes estavam familiarizadas com chá e infusões feito de hervas e outros produtos vegetais que são acreditados em induzirem o aborto. (Quadro 5 ).12

 

Quadro 5. Metodos de Abortos
Trauma Voluntario
Quedas, socos, atividade fisicas excessivas, etc.
Produtos Naturais tomados oralmente ou vaginalmente
Algas marinhas, sementes vegetais
Chá e infusões preparadas de ervas e vegetais
Produtos Manufacturados tomados oralmente ou vaginalmente
Cerveja, vinho, vinagre
Substancias ensaboadas
Substancias Causticas, incluindo cloro, cal, sais de potassio
Objetos Fisicos inseridos no Utero
Catheter (Tubo de borracha) alone
Catheter usado para extrair fluidos toxicos
Objetos pontiagudos, tais como arame, agulhas de tecer e cabides
Produtos Farmaceuticos administrados oralmente ou vaginalmente
Misoprostol, prostaglandins, estrogen, laxativos, quinino, oxytocins, etc.
Tecnicas Medicas
Dilatação e curettagem
Aspiração por Vacuum
Fontes:Pesquisa feita em 1992 pela AGI das opiniões sobre a prática do aborto em Brasil, Colombia, Chile, Republica Dominicana, Mexico e Peru (veja referencias 12).

Se estes produtos não tiverem o efeito desejados ( e ninguém sabe se eles são genuinamente causadores de aborto) as mulheres então se sujeitam a metodos mais perigosos: a insersão de um tubo de borracha, liquidos causticos ou outros objetos extranhos dentro do utero; ou a aplicação oral ou vaginal de potentes produtos farmaceuticos e hormonais. No Brasil, um produto farmaceuticos usualmente prescrito para o tratamento gastrico e de ulceras duodenal, misoprostol (Cytotec), é amplamente usado para terminar a grávidez.13

Na área urbana de alguns países, mulheres com condições financeiras podem encontrar clinicas privadas que fazem um aborto médico seguro, usando dilatação e curettagem (D&C) ou tecnicas de aspiração á vacuum. E em toda a America Latina, as mulheres da classes média e alta confessam que podem obter um aborto médico seguro em consultórios médicos.

PAGINA ANTERIOR

HOME